sábado, 16 de setembro de 2017

Nada, confesso: não tenho nada pra te oferecer. Ou este vale de poemas ou as pontes pra longínqua nebulosa em que fui feito. É impossível prever o que vai resultar do nosso encontro, e minhas mãos procuram as tuas por vontade própria. Não conheço ninguém mais desinteressante do que eu. Você vai me ver falar com plantas, bichos, objetos, paisagens. Penso em você na minha cama e tua pele me leva ao delírio. Muito cedo você vai se entediar e me deixar por um motivo banal. Não sei inventar alegrias. Não sei improvisar interesse. Tenho vergonha da poeira sobre os móveis, pilhas de papéis amassados, a pintura descascando, não esperava te encontrar tão cedo. Tua imagem me desperta e já começo a ensaiar qualquer assunto, mas sempre me parece que devia ser outro. Não tenho nada pra te oferecer. Ou os campos minados da minha ingenuidade explodindo em flores alaranjadas.



(Ou azuis, se você preferir.)

Um comentário:

Anônimo disse...

tem voce, e voce nao tem preço!