terça-feira, 14 de maio de 2019

Não me acorde agora:
sou toda uma poesia naufragada.

Transbordou sem uso a minha tinta verde
para algumas casas, para alguns telhados.

Já não são mãos nem lábios
nem olhos através dos vidros.
Já não há vento,
nem sal nem cores no poente.

Aqui do alto
de todos os desejos serenados
sou o que sempre nasce, e basta.

Espalho-me
como as nuvens sobre o mar que amo,
até outros mares e de volta.

Acendo
nas luzes da minha cidade
e sou a própria estrela
alheia à confusão da noite.

Jamais me traga de volta
à superfície do tempo:

deixe-me viver o sono,
deixe-me ser sem palavras.

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