domingo, 17 de janeiro de 2021

Sem ninguém no porto, um aceno sem bússola.
Sumir pra sempre no longe.

Ser
essa matéria do tempo e ir ser
a primavera a cerejeira a flor
– ah por favor
me dê um gole só
desse estar sendo infinito.

Se
das fachadas dos edifícios
explodissem as selvas e se
ao derrubarem as paredes
vissem o Universo expandindo.

Mas
só mais um cigarro na noite
mais um cigarro na noite
na noite
não
não precisamos de outro fim do mundo.

Os lugares pra onde vamos, eles
chegam quando querem e
se querem.

Ou
numa rede num túnel
numa teia que espalhasse pelo chão
todo o dourado de Órion
Betelgeuse
Alfa-Centauro – a verdade é que
todas as janelas são o céu,
não só essa chuva escorrendo no vidro.

(Vê
que a soma das minhas partes
é muito maior do que eu.)

(E então levanta
a barra da saia
das nuvens pra ver também
se não sou eu do outro lado.)